Fernanda Fragateiro

por Galeria Baginski


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For us a book is a small building (Para nós um livro é um pequeno edifício) é o título da exposição que Fernanda Fragateiro apresenta na Galeria BAGINSKI resgatando uma citação, da arquitecta britânica Alison Smithson, que estabelece uma analogia entre o processo de concepção de um livro e o de um edifício. A utilização desta frase encontra uma expressão significativa no corpo de trabalho de Fernanda Fragateiro e apresenta-se como uma síntese da sua produção artística, onde o campo da arquitectura e do espaço assume protagonismo conceptual, mas a produção textual estabelece-se como instrumento de correlação de conteúdos com manifestação formal. No trabalho de Fragateiro, o material escrito é um material como outro qualquer, cuja expressão se traduz plástica e conceptualmente. Se, enquanto objecto, os livros podem ser transformados, originando pequenos edifícios, desenhos ou pedras de calçada, enquanto conteúdo representam ideias que operam num processo de construção.

Neste sentido, a exposição toma como referência escritos de Alison e Peter Smithson para se focar no complexo de habitação social Robin Hood Gardens, um projecto emblemático da autoria da dupla britânica, cuja recente demolição, condenada por arquitectos, artistas e críticos, passou relativamente despercebida na opinião pública, mas que representa o apagamento de um período de importantes políticas sociais em Inglaterra. Através das obras presentes na exposição, Fragateiro caracteriza o edifício e relata de forma subliminar os princípios que estruturaram o projecto de arquitectura e as causas que levaram ao seu insucesso. Ao mesmo tempo, recorre à materialidade das obras para sugerir um comentário às premissas que originaram o Brutalismo, bem como à degeneração do estilo resultante de uma simplificação dos conceitos da materialidade, introduzindo de forma discreta destroços do bairro 6 de Maio na Amadora, numa confrontação entre dois processos de demolição que decorrem em simultâneo ao período da exposição. Apesar da simbologia da destruição de um complexo social de arquitectura de autor, o grau de agressividade da devastação das arquitecturas informais do 6 de Maio, sujeita à igual negligência da opinião pública, é sintomático de uma desconsideração política e social pela dignidade humana que foi a principal motivação do projecto dos Smithson.

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For us a book is a small building is the title of the exhibition that Fernanda Fragateiro presents at GALERIA BAGINSKI rescuing a quote by the British architect Alison Smithson, who establishes an analogy between the processes of conception of a book and of a building. This idea finds a significant expression in the body of work of Fernanda Fragateiro and can be presented as a synthesis of her artistic production, where the field of architecture and space assumes the conceptual leading role, while the textual production is established as an instrument of correlation of content with formal manifestation. In Fragateiro’s work, written material is like any other material, with an expression that can be translated both in plastic and conceptual terms. If, as objects, books can be transformed into small buildings, drawings or cobble stones, as content, can represent ideas that operate in a process of construction.

In this sense, the exhibition takes as reference the writings of Alison and Peter Smithson in order to focus on the social housing complex Robin Hood Gardens, an emblematic project conceived by the British duo and of which’s recent demolition, condemned by architects, artists and critics, although having gone relatively unnoticed by the general public, represents the end of an important period of social reformation in England. Through the works present in the show, Fragateiro characterizes the building and describes in a subliminal way the principles that give structure to the architectural project and the reasons that lead to its failure. Simultaneously, it appeals to the materiality of the pieces as a way of suggesting a commentary to the premises that gave origin to Brutalism, as well as to the decline of the style that resulted from a simplification of the concepts of materiality, carefully introducing remains from “bairro 6 de Maio”, in Amadora, as a confrontation between the two demolition processes that are happening simultaneously to the period of the exhibition. Despite the symbology of the destruction of a social complex of architectural authorship, the degree of aggressiveness in the devastation of the informal architectures of “6 de Maio”, which has been subject to a similar negligence by the general public opinion, is symptomatic of a social and political indifference for the human dignity that was the main motivation underlying the Smithson project.

Galeria Baginski

Rua Capitão Leitão , 51-53 - Marvila

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